Mostrando postagens com marcador Morte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Morte. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de março de 2011

O dia em que o teu coração parou...

No dia em que o teu coração parou deixou o meu em stand by, em ritmo lento, adormecido. Levaste parte de mim, levaste o legado do riso e do sorriso. Deixaste a saudade, a fragilidade do passo inseguro que caminha sem ver a luz, lá ao fundo

Fiquei sem o cheiro, sem o colo, sem o abraço, sem o olhar cúmplice que valia por todas as mil palavras trocadas. Fizeste batota ao aparecer-me em sonhos. Não vale. Assim, não vale, não é justo. Quero sentir-te, tocar-te, caminhar ao teu lado, enquanto me contas as histórias e segredos da montanha, as lendas dos lobos e da floresta, ao som das pancadas do bombo da festa, enquanto me sentas ao colo e brincas com as minhas longas tranças e me chamas de teu tesouro maior...

Agora, que já fiz as pazes com a tua ausência física, o meu coração bate mais forte quando se lembra de ti e ri-se à gargalhada quando recorda todas as aventuras que vivemos juntos.

No dia em que o teu coração parou começamos a viver uma outra história: a das nossas eternas memórias!

P.S. Ao meu avô Manel, com um "brilhozinho nos olhos"!


Paula Machado

terça-feira, 1 de março de 2011

Há vidas assim...

Há vidas que se despedem sem lágrimas. Apenas com lembranças. Há vidas assim tão vividas, tão dissecadas, em que tanto se amou, em que tanto se sofreu, em que tanto se viveu... Que quando se despedem não há anos, experiências a lamentar.

Via-a ontem, deitada sobre aquele leito branco de cetim, rodeada de flores. Uma simples blusa às flores, uma saia castanha. Gordinha, até. E parecia rosada. Tão quieta que mais parecia uma pintura sua do que o seu corpo. Foi o que mais estranhei. Vê-la tão sossegada, sem expressão no rosto. Juro que cheguei a ver o vai e vem da respiração. Porque tão sossegada não poderia ser ela. Se de facto ela tivesse respirado não me assustaria como seria normal, pois não me habituei a vê-la morta.

Não houve lágrimas. Houve até sorrisos nos que a recordaram. Alegre e de pé solto. Velha gaiteira. Viúva alegre. Boa. E feliz!

Marlene Silva

Homenagem à Ti Zulmira Gabina, que, de camarote, me viu crescer e me lembrava que eu era como a minha avó, a pessoa que eu mais amei no mundo