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quarta-feira, 2 de março de 2011

Sussurro

Aproximas-te de mim, abraças-me e deixo-me ficar.

Sussurras-me ao ouvido as palavras certas, aquelas que me fazem suster a respiração, que aceleram as batidas do coração, que me fazem querer-te cada vez mais... e mais!

E fico assim, embalada pelo teu sussuro, pelas palavras pausadas que me embalam como um doce murmurar.

Quero ficar para sempre assim, presa neste teu sussuro enquanto os corpos sedentos de paixão se procuram e se tornam num só.

A melodia do nosso amor tem uma nota comum. Um sussurro profundo e enamorado.

Agora é a minha vez de sussurar ao teu ouvido e dizer-te que este coração é ( e sempre será) teu e apenas teu!


Paula Machado

Sereia, menina ... princesa!

"Mamã, já sei o que quero ser quando for grande! Quero ser SEREIA!"

E com esta a L. deixou-me de boca aberta.

Apenas consegui dizer-lhe que Sereia me parecia bem... Mas ela completou. "Mamã, quero ser sereia mas quero casar...assim como as princesas".

Ou seja, a minha filha quer ser menina, sereia, princesa. Não sei se por esta ordem exatamente, mas acredito que está na idade de dar asas à imaginação, de viver os sonhos, de "mergulhar" nos mares da fantasia e de mostrar autonomia e independência, do alto dos seus 4 anos. Por isso, já me imagino como rainha sereia, no fundo dos sete mares... eu que tenho pavor a água!!! Amor de mãe é incondicional.


Paula Machado

Coração ninho

Cresce dentro de mim, de nós, um ninho!

Palhinha a palhinha, entrelaçamos com carinho, ternura e ansiedade, um ninho que te aguarda, que há muito está pronto para te acolher.

Contamos os dias, as horas, diria mesmo os minutos, em que estarás pronto (a) para pousares nele e em nós.

Mesmo sem te conhecer, sem saberes se és grande ou pequeno (a), se és menina ou menino, se tens cabelos escuros ou claros, se és branco ou preto, amamos-te perdidamente neste coração que está desejoso para te abrigar e para ser também teu.

Este ninho está pronto para ti, filho (a) e irmão (ã) do coração!


Paula Machado

O dia em que o teu coração parou...

No dia em que o teu coração parou deixou o meu em stand by, em ritmo lento, adormecido. Levaste parte de mim, levaste o legado do riso e do sorriso. Deixaste a saudade, a fragilidade do passo inseguro que caminha sem ver a luz, lá ao fundo

Fiquei sem o cheiro, sem o colo, sem o abraço, sem o olhar cúmplice que valia por todas as mil palavras trocadas. Fizeste batota ao aparecer-me em sonhos. Não vale. Assim, não vale, não é justo. Quero sentir-te, tocar-te, caminhar ao teu lado, enquanto me contas as histórias e segredos da montanha, as lendas dos lobos e da floresta, ao som das pancadas do bombo da festa, enquanto me sentas ao colo e brincas com as minhas longas tranças e me chamas de teu tesouro maior...

Agora, que já fiz as pazes com a tua ausência física, o meu coração bate mais forte quando se lembra de ti e ri-se à gargalhada quando recorda todas as aventuras que vivemos juntos.

No dia em que o teu coração parou começamos a viver uma outra história: a das nossas eternas memórias!

P.S. Ao meu avô Manel, com um "brilhozinho nos olhos"!


Paula Machado

terça-feira, 1 de março de 2011

Há vidas assim...

Há vidas que se despedem sem lágrimas. Apenas com lembranças. Há vidas assim tão vividas, tão dissecadas, em que tanto se amou, em que tanto se sofreu, em que tanto se viveu... Que quando se despedem não há anos, experiências a lamentar.

Via-a ontem, deitada sobre aquele leito branco de cetim, rodeada de flores. Uma simples blusa às flores, uma saia castanha. Gordinha, até. E parecia rosada. Tão quieta que mais parecia uma pintura sua do que o seu corpo. Foi o que mais estranhei. Vê-la tão sossegada, sem expressão no rosto. Juro que cheguei a ver o vai e vem da respiração. Porque tão sossegada não poderia ser ela. Se de facto ela tivesse respirado não me assustaria como seria normal, pois não me habituei a vê-la morta.

Não houve lágrimas. Houve até sorrisos nos que a recordaram. Alegre e de pé solto. Velha gaiteira. Viúva alegre. Boa. E feliz!

Marlene Silva

Homenagem à Ti Zulmira Gabina, que, de camarote, me viu crescer e me lembrava que eu era como a minha avó, a pessoa que eu mais amei no mundo

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PENE (ou a musa do cartaz)

Os olhos dele ganhavam vida quando se cruzavam com os dela. Esboçava-se um sorriso a que ela acedia em silêncio.

Todos os dias passavam um pelo outro. Ele, dizia-lhe bom dia, numa linguagem muda que só ela entendia. Ela respondia-lhe com um olhar intenso que valia mais que todas as palavras.

Não sei quantas vezes se cruzaram, não sei quantas vezes trocaram mensagens codificadas sem ninguém perceber. Só sei, aliás, acho que sei, que aquela rapariga era para ele uma espécie de musa. Dedicava-lhe frases amorosas, suspiros e inspirações. Estendeu-lhe o tapete vermelho só para ela passar. Ficou triste quando a levaram para longe... O espaço ficou vazio, algum tempo, e depois, dois metros e meio de pernas esculpidas vieram ocupar o lugar que antes pertencia a Pene, a musa do cartaz!


Paula Machado

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Menina da Lua

Vi-a pela primeira vez num céu negro, onde brilhavam muito poucas estrelas. Vi-a lá, encolhidinha a rir-se para mim, como um sinal. Havia uma névoa sobre ela que me impedia de ver o seu brilho, a sua forma. Havia uma névoa que a escondi-a de mim.

Durante um dia, durante muitos dias, durante muitos e muitos e muitos dias queria que a noite chegasse só para a ver, a sorrir para mim.

Pedia que viesse, que chegasse o dia em que ela me deixasse tomá-la nos meus braços para a adormecer.

Mas quem me embalava era ela. Era ela que me adormecia nas noites em que as lágrimas corriam no meu rosto e o céu continuava escuro, sem ponta de luz.

Nessas alturas, ela sussurrava ao meu ouvido. Acredita... Acredita...

E eu acreditei, e ela de uma fatia de lua, fez-se uma lua cheia. Redonda, redondinha, cheia de brilho e luz.

Hoje, adormecemos no colo uma da outra, a olhar para o céu onde outras (meninas) luas se escondem e prometem crescer!


Paula Machado

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ondas que brincam...

As ondas são crianças. Não sabiam? Mas são. São crianças e traquinas. Seguem-se umas às outras em corridas que só terminam na areia. Hoje, um pequeno grupo juntou-se numa roda e todas elas dançavam. Alegres. Dançavam aos pulos e até esbarrar umas nas outras. Umas por cima das outras. A rir. Às gargalhadas.

Marlene Silva